Jundiaí / SP - sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Tireoidopatias

Disturbios da tireóide

 

A tireóide é uma pequena glândula que mede aproximadamente 5 cm de diâmetro localizada no pescoço, sob a pele, abaixo do pomo de Adão. Os dois lobos (metades) da tireóide estão conectadas em sua parte central (istmo), o que confere à glândula a forma da letra “H” ou de uma gravata borboleta. Normalmente, ela não pode ser visualizada e é dificilmente palpada. No entanto, quando ela aumenta de volume, o médico poderá palpá-la facilmente e uma protuberância proeminente (bócio) pode aparecer abaixo ou lateralmente ao pomo de Adão. A tireóide secreta os hormônios tireoidianos, os quais controlam a velocidade com que as funções químicas do organismo ocorrem (taxa metabólica). Os hormônios tireoidianos influenciam a taxa metabólica de duas maneiras: através da estimulação de quase todos os tecidos do corpo para que eles produzam proteínas e através do aumento da quantidade de oxigênio utilizado pelas células. Quando as células trabalham mais intensamente, os órgãos do corpo trabalham mais rapidamente. Para produzir os hormônios tireoidianos, a tireóide necessita de iodo, um elemento existente nos alimentos e na água. A tireóide capta o iodo e o processa para produzir os hormônios tireoidianos.

À medida que os hormônios tireoidianos são utilizados, parte do iodo neles contido retorna à tireóide e é reciclado para produzir mais hormônios tireoidianos. O corpo possui um mecanismo complexo de ajuste da concentração dos hormônios tireoidianos. Em primeiro lugar, o hipotálamo (localizado no cérebro, logo acima da hipófise), secreta o hormônio liberador de tireotropina, que faz com que a hipófise produza o hormônio estimulante da tireóide. Como o nome sugere, o hormônio estimulante da tireóide estimula a tireóide a produzir hormônios tireoidianos. Quando a quantidade de hormônios tireoidianos circulantes no sangue atinge uma determinada concentração, a hipófise reduz a produção do hormônio estimulante da tireóide e vice-versa. Trata-se de um mecanismo de controle por retroalimentação (feedback) negativa. Os hormônios tireoidianos são encontrados sob duas formas. A tiroxina (T4), a qual é a forma produzida na glândula tireóide, tem apenas um efeito discreto (quando o tem) sobre o aumento da taxa metabólica do organismo. No fígado e em outros órgãos, ela é convertida na forma metabolicamente ativa, a triiodotironina (T3). Esta conversão produz aproximadamente 80% da forma ativa do hormônio.

Os 20% restantes são produzidos e secretados pela própria tireóide. Muitos fatores controlam a conversão de T4 em T3 no fígado e em outros órgãos, inclusive as necessidades do organismo a cada momento. A maior parte de T4 e T3 encontra-se firmemente ligada a determinadas proteínas do sangue e os hormônios somente são ativos quando não se encontram ligados a essas proteínas. Desse modo notável, o corpo mantém a quantidade correta de hormônios tireoidianos necessária para a manutenção de uma taxa metabólica estável. Para que a tireóide funcione normalmente, muitos fatores devem atuar em conjunto e adequadamente: o hipotálamo, a hipófise, as proteínas ligadoras dos hormônios tireoidianos do sangue e a conversão de T4 para T3 (no fígado e em outros tecidos).

 

Exames laboratoriais


Para se determinar o quão bem a tireóide está funcionando, os médicos utilizam vários exames laboratoriais. Um dos mais comuns é a dosagem da concentração de hormônio estimulante da tireóide no sangue. Como esse hormônio estimula a tireóide, a concentração encontra-se alta quando a glândula está hipoativa (e, conseqüentemente, necessita de uma maior estimulação) e baixa quando ela está hiperativa (e, conseqüentemente, necessita de uma menor estimulação). Quando a hipófise não está funcionando normalmente (embora isto raramente ocorra), a concentração de hormônio estimulante da tireóide isoladamente não reflete de modo acurado a função da tireóide e o médico então mensura a concentração de T4 livre. Geralmente, a mensuração da concentração de hormônio estimulante da tireóide e a de T4 circulante no sangue são suficientes. No entanto, a concentração da globulina ligadora da tiroxina também pode ser mensurada, pois a concentração anormal desta proteína pode acarretar uma interpretação errônea da concentração total de hormônios tireoidianos. Os indivíduos com nefropatia (doença renal), com determinados distúrbios genéticos, com algumas doenças ou aqueles que fazem uso de esteróides anabolizantes apresentam concentrações mais baixas da globulina ligadora da tiroxina.

 

Localização da Glândula Tiróide


 

 

Por outro lado, a concentração dessa globulina pode estar aumentada em mulheres grávidas ou que fazem uso de contraceptivos orais ou outras formas de estrogênios, em indivíduos que apresentam estágios iniciais de hepatite ou outras doenças. Alguns exames podem ser realizados na própria glândula. Por exemplo, quando o médico detecta um aumento da tireóide, ele pode solicitar a realização de uma ultrassonografia. Este procedimento utiliza ondas sonoras para determinar se o tumor é sólido ou se o seu conteúdo é líquido. A cintilografia da tireóide utiliza o iodo ou o tecnécio radioativo e um dispositivo para produzir uma imagem da glândula que revelará qualquer alteração física. A cintilografia da tireóide também pode auxiliar o médico a determinar se a função de uma área encontra-se normal, hiperativa ou hipoativa em comparação com o restante da glândula. Em raras ocasiões, quando o médico não tem certeza se o problema está localizado na tireóide ou na hipófise, testes de estimulação funcional podem ser solicitados. Um desses testes consiste na injeção intravenosa do hormônio liberador da tirotropina e, em seguida, na realização de exames de sangue para mensurar a resposta da hipófise.

 

Sintomas das Doenças da Tireóide

 

 

Hipertireoidismo (excesso de hormônios tireoidianos)

 

Hipotireoidismo (falta de hormônios tireoidianos)

 

 

 

Aumento da freqüência cardíaca Hipertensão arterial Pele úmida e aumento da sudorese Agitação e tremores Nervosismo Aumento do apetite e perda de peso Insônia Evacuações freqüentes e diarréia Fraqueza Espessamento e elevação da pele sobre a face anterior das pernas Olhos protuberantes, avermelhados, edemaciados Sensibilidade dos olhos à luz Olhar fixo constante Confusão mental

 

Pulso lento Voz rouca Fala lenta Face edemaciada Queda das sobrancelhas Pálpebras caídas Intolerância ao frio Constipação Ganho de peso Cabelos ressecados, grossos, escassos Pele áspera, espessa, escamosa, seca; pele espessada e elevada sobre a face anterior das pernas Síndrome do túnel do carpo Confusão mental Depressão Demência

 

 


SÍNDROME DO DOENTE EUTIREOIDEU

Na síndrome do doente eutireoideu, os resultados dos exames da tireóide são anormais, embora a glândula apresente uma função normal. A síndrome do doente eutireoideu geralmente ocorre em indivíduos que apresentam uma doença grave que não seja a doença da tireóide. Nos indivíduos doentes, desnutridos ou que foram submetidos a uma cirurgia, a forma de T4 do hormônio tireoidiano não é normalmente convertida na forma de T3. Ocorre um acúmulo de grandes quantidades de T3 reversa, uma forma inativa do hormônio tireoidiano. Apesar dessa conversão anormal, a tireóide continua a funcionar e a controlar normalmente a taxa metabólica do organismo. Como a tireóide não apresenta problema, nenhum tratamento é necessário. Uma vez curada a doença subjacente, os exames laboratoriais revelam resultados normais.

 

Fonte: Shirley Claypool