Jundiaí / SP - sexta-feira, 20 de abril de 2018

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Rotulagem dos Alimentos Industrializados Influenciando o Controle do Diabetes

Nutricionista Dra. Celeste Viggiano
Membro do Departamento de Nutrição da SBD - Gestão 2006/ 2007

  Diabetes é uma doença crônica, caracterizada por elevadas concentrações de glicose no sangue devido a ausência parcial ou total de insulina. Situa-se entre as 10 principais causas de mortes em adultos, contribuindo para várias outras doenças.

É uma doença que requer atenção nutricional, pelo controle na ingestão de nutrientes, principalmente carboidratos, gorduras e sódio. Esses nutrientes são altamente consumidos por estarem presentes em grandes quantidades nos alimentos industrializados.

Os alimentos industrializados são denominados produtos alimentícios derivados de um alimento in natura ou de matéria-prima alimentar, adicionado ou não de outras substancias permitidas, obtidos por processo tecnológico adequado.

Todo alimento industrializado, de acordo com  a lei, deve conter no seu rótulo: nome comum ou usual do produto; nome do fabricante, importador ou distribuidor; conteúdo liquido em termos de peso, medida ou contagem; conteúdo de nutrientes do produto, apresentado de acordo com as regras ditadas pela tabela de informação nutricional.

Vários produtos apresentam em seu rotulo alegações de saúde, que liga nutrientes a estados de doença. Isso significa, por exemplo, que um produto light nem sempre pode ser consumido por um portador de diabetes, pois nesses produtos há uma redução parcial de algum nutriente, e este pode não ser o açúcar.
Portanto, deve-se ficar atento aos rótulos de alimentos industrializados, prestando atenção em suas informações, pois diversas vezes elas não são realmente o que se acha ser.
Por esse motivo estão listados abaixo de A a Z os termos encontrados nas embalagens dos alimentos, que quando entendidos nos ajudam a fazer escolhas mais saudáveis e nutritivas.


ACIDULANTES – substâncias que promovem a acidez do alimento.

 
AÇÚCAR OU SACAROSE – importante fonte de energia. É a junção de glicose e a frutose. Um produto sem açúcar não contêm sacarose, mas pode possuir outros tipos de açucares como o mel, o xarope de milho e a glicose, entre outros.

 

ADITIVOS – impedem alterações no alimento e mantêm seu estado fisiológico geral. Também são usados para dar o aroma, a cor, e o sabor aos mais diversos produtos. São substâncias que contêm ou não valor nutritivo, conhecidas como: estabilizantes, corantes, aromatizantes, conservantes, antioxidantes, espessantes, edulcorantes, umectantes, antiumectantes e acidulantes.

 

ADOÇANTES – substancias que adoçam. Dividem-se em dois grupos: os naturais, que são sacarose, frutose, glicose, entre outros, e os sintéticos, como a sacarina, ciclamato, aspartame, sucralose, acesulfame-k, entre outros.

 
ANTIOXIDANTES – são os elementos que impedem a formação de radicais livres no alimento.


ANTIUMECTANTES – reduzem a umidade do produto.

 

AROMATIZANTES – responsáveis por conferir aroma e sabor aos alimentos e bebidas.

 
BAIXA CALORIA – usada quando o alimento possui no máximo 40kcal/100g (sólidos) ou 20kcal/100ml (líquidos).


BAIXISSIMO TEOR DE SÓDIO (ou muito baixo teor de sódio) – expressão destinada aos alimentos com no máximo 40mg de sódio/100g ou 100ml.

 

BAIXO COLESTEROL – o termo é usado para indicar que o alimento tem no máximo 20mg de colesterol/100g (sólidos) ou 10mg de colesterol/100ml (líquidos) e no máximo de 1,5g de gordura saturada/100g (sólidos) ou 0,75g de gordura saturada /100ml (líquidos).

 

BAIXO TEOR DE GORDURA – aparece no rotulo dos produtos que têm no máximo 3g de gorduras/100g (sólidos) ou 1,5g de gorduras/100ml (líquidos).

 

BAIXO TEOR DE GORDURA SATURADA – expressão utilizada quando o alimento possui no máximo 1,5g de gordura saturada/100g (sólidos) ou 0,75g de gordura saturada /100ml (líquidos).

 

BAIXO TEOR DE SÓDIO – os alimentos que têm essa informação em suas embalagens possuem no máximo 120mg de sódio/100g ou 100ml.

 
CÁLCIO – é um mineral que mantém a estrutura do corpo, ossos e dentes, além de prevenir a osteoporose e o raquitismo. As necessidades variam de acordo com a idade. Os adultos, em geral, precisam de 1g por dia. É importante lembrar que a vitamina D ajuda a sua absorção no intestino.


CARBOIDRATOSsão responsáveis por fornecer energia para o corpo, ajudando no crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde. Os carboidratos são divididos em: açúcares simples: glicose, galactose, frutose, sacarose, lactose e maltose e açúcares complexos: amido e fibras. Os primeiros estão presentes no mel, no açúcar de mesa, nas frutas e no leite. Já o amido é encontrado nos cereais e seus derivados, como farinhas, massas, pães, biscoitos, macarrão e também nos vegetais tuberosos como a batata, mandioca, inhame e mandioquinha. As fibras fazem parte da estrutura de diversos alimentos de origem vegetal como as verduras, frutas, grãos e cereais.

 

COLESTEROL – deve-se limitar seu consumo máximo diário a 300mg, recomendado para adultos de altura e pesos médios. O colesterol está presente em alimentos de origem animal, como fígado e outras vísceras, gema de ovo e gordura de alimentos derivados de leite. Quanto mais elevada a concentração de colesterol no sangue, maior será seu acúmulo nas paredes das artérias, provocando seu entupimento, o que é chamado aterosclerose, o grande responsável pelo infarto e derrame cerebral.

 

CONSERVANTES OU CONSERVADORES – são substâncias que impedem as alterações que ocorrem no alimento causadas por microorganismos.


CORANTES – responsáveis por dar cor aos alimentos.

 
DIET – o alimento recebe essa denominação quando tem a indicação para o tratamento de algum distúrbio ou doença. Pode ser isento de açúcar de adição, mas pode ser restrito de outros nutrientes ou substâncias, como o sal. No entanto, isso não quer dizer necessariamente que possuem calorias reduzidas. Um chocolate diet, por exemplo, é indicado para um diabético, pois não contem açúcar. Porém, pode ter o tanto ou mais de calorias que um chocolate comum.

 
EDULCORANTES – conhecidos também como adoçantes, dão o sabor doce ao alimento.


ESPESSANTES – elementos que deixam os líquidos mais viscosos.

 

ESTABILIZANTES – substâncias aplicadas para manter a uniformidade e homogeneidade do produto, deixando-o mais viscoso. Sem contar que esses aditivos previnem a formação de cristais que comprometem a consistência.

 
FERRO – além de transportar o oxigênio até as células, atua também na fabricação de células vermelhas do sangue.


FIBRA ALIMENTAR – componente presente em alimentos de origem vegetal. Contribuem para a diminuição do risco de doenças do coração, câncer de intestino, diabetes, hemorróidas, entre outros problemas. As fibras ainda ajudam a eliminar o colesterol, além de regularem o funcionamento dos intestinos.

 
GLÚTEN – proteína encontrada no centeio, trigo, aveia e cevada. Entre os vários componentes do glúten, a gliadina é a mais prejudicial a quem tem intolerância ao glúten, os portadores de doença celíaca.


GORDURAS INSATURADAS – são as que não prejudicam as artérias. Pelo contrário, ajudam a combater o colesterol ruim. São divididas em: monoinsaturadas e poliinsaturadas. O ideal é que as insaturadas representem mais de 20% das gorduras consumidas.


GORDURAS MONOINSATURADAS – não promovem o aumento do colesterol e protegem o coração.


GORDURAS POLIINSATURADAS – também não elevam o colesterol ruim.


GORDURAS SATURADAS – são as grandes vilãs da alimentação, pois aumentam o nível de colesterol ruim no sangue, elevando os riscos de problemas cardíacos.


GORDURAS TOTAIS – é a somatória das gorduras presentes no produto, ou seja, as saturadas, as monoinsaturadas e as poliinsaturadas. Alguns rótulos apresentam as informações separadamente.


GORDURAS TRANS – muito usadas pela industria dos alimentos, no primeiro estágio, são líquidas e pertencem às gorduras poliinsaturadas. Porém, para obter consistência sólida são submetidas a processos químicos que injetam hidrogênio em alta pressão, transformando-as em gorduras trans. São mais perigosas que as saturadas – além de aumentarem o colesterol ruim reduzem cerca de 20% o colesterol bom. É provável que alimentos que tenham gordura vegetal e óleo vegetal hidrogenado em suas formulações possuam as trans.

 
LACTOSE – é o açúcar do leite, por isso é encontrado apenas nesse produto e em seus derivados. Faz parte da família dos carboidratos. Para ser absorvida e utilizada pelo corpo como fonte de energia, precisa ser “quebrada” pela enzima lactase, encontrada no intestino delgado. Quando essa enzima tem menor atividade, parte da lactose não é digerida, sendo fermentada pelas bactérias no intestino grosso, caracterizando o quadro conhecido por intolerância à lactose.


LIGHT – essa denominação indica que o alimento tem redução de, no mínimo, 25% em um de seus componentes, geralmente gordura ou açúcar. No rótulo, encontra-se também uma tabela comparativa entre o produto light e sua versão comum. Ter menos calorias, porém, não significa que o alimento seja saudável ou nutritivo. Para isso o melhor é comparar os demais nutrientes da formulação.


LIGHT EM SAL (ou Light em sódio) – expressão que avisa que o alimento atende ao atributo ‘baixo teor de sódio’ ou tem o teor de sódio reduzido em pelo menos 25% em relação ao produto convencional.

 
MACRONUTRIENTES – são os nutrientes que conferem os valores de energia aos alimentos. Eles são divididos em três: carboidratos, proteínas e gorduras.

 
NÃO CALÓRICO  (ou não contem calorias ou sem calorias ou livre de calorias) – essa expressão é utilizada nos tipos de alimentos que possuem no máximo 4Kcal/100g ou 100ml.


NÃO CONTEM COLESTEROL – nenhum produto feito exclusivamente com óleos vegetais contém colesterol. Isso porque suas composições não levam ingredientes de origem animal como leite, ovos ou manteiga. Atenção: mesmo sem colesterol o alimento pode conter gordura.

 
PROTEÍNAS – fornecem energia, mas a principal função é atuar na construção dos órgãos, tecidos e células.

 
SEM ACÚCAR – expressão utilizada quando o alimento possui no máximo 0,5g de açúcar/100g ou 100ml.


SEM GORDURA – para usar esse termo, o alimento tem no máximo 0,5g de gorduras/100g ou 100ml.


SEM SAL (ou sem sódio) – essas palavras encontram-se nas embalagens de alimentos que possuem no máximo 5mg de sódio/100g ou 100ml.


SÓDIO – é parte do sal. Seu consumo deve ser limitado a 6g por dia no máximo. O excesso pode causar aumento da pressão arterial.

 
UMECTANTES – a utilização desses ingredientes é importante devido ao fato de possuírem a função de manter a umidade natural do alimento.

 
VALOR ENRGÉTICO OU VALOR CALÓRICO OU CALORIAS – são as unidades de medida da energia dos alimentos, calculadas a partir da quantidade de gorduras, proteínas e carboidratos. Cada pessoa precisa de uma quantidade de calorias específicas por dia, dependendo da idade, do nível de atividade física e do metabolismo.


VITAMINA A – muito importante para o crescimento e fundamental para a saúde da pele e dos olhos.


VITAMINA D –sua função é estimular a absorção de cálcio, garantindo assim ossos e dentes saudáveis, especialmente na fase de crescimento.


VITAMINA E – funciona como antioxidante, eliminando os radicais livres, partículas altamente nocivas que são produzidas pelo próprio organismo.


VITAMINAS DO COMPLEXO B – fazem com que o organismo aproveite melhoras gorduras, os carboidratos e as proteínas, transformando-os em energia. Pertencem a esse grupo as vitaminas: B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B6 (piridoxina), B12 (cianocobalamina), folato, ácido fólico, ácido pantotênico e biotina.

 
ZINCO – trata-se de um mineral importante no sistema imunológico e em muitas reações enzimáticas.


 

 

 

 

 

 

 

 Bibliografia consultada:

Sizer FS e Whitney EN. Nutrição conceitos e controvérsias. 8ª ed. São Paulo: Editora Manole; 2003. p. 47-51.
Viggiano CE. Guia prático de alimentação para o diabético. São Paulo; 2001.Aquino RC. Alimentos industrializados na dieta das crianças do município de São Paulo. São Paulo; 1999. [Tese de mestrado – FCF/FEA/FSP/USP]. O que diz o rótulo de A a Z. Revista VIVA SAÚDE, ano 2, nº15, julho 2005, p. 60-63.
Autores: 
*Ariane Valério Barbosa
*Juliana Parmigiani Antunes
*Tálita Catarina Tognela
*Thais de Souza Afonso
*Thais Ferreira Fontanezi
** Celeste Elvira Viggiano 
* Nutricionistas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul - SP
** Nutricionista, educadora em diabetes, coordenadora do curso de graduação em Nutrição – Universidade Municipal de São Caetano do Sul  e membro do departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes 2006/2007