Jundiaí / SP - quarta-feira, 18 de julho de 2018

Atividade Fisica

Atividade Física

Para manter o diabetes e a obesidade sob controle, a atividade física é um dos fatores indispensáveis - ao lado da dieta e da medicação. Saiba mais sobre a relação entre diabetes e peso, benefícios da atividade, o que escolher de acordo com seu estilo de vida, etc.

 

 

Benefícios da Atividade Física

Praticar exercícios físicos é muito importante para qualquer indivíduo, pois está provado cientificamente que o sedentarismo é prejudicial à saúde. Para a pessoa que tem diabetes, a atividade física traz diversos benefícios adicionais, como o aumento da ação da insulina.

As vantagens de praticar exercícios podem ser divididas em dois tipos: imediatos e tardios.

Como benefício imediato, ou seja, aquele que ocorre logo no primeiro dia, podemos citar:

  • Aumento da ação da insulina
  • Aumento da captação da glicose pelo músculo
  • Captação da glicose no período pós-exercícios
  • Diminuição da glicose sangüínea
  • Aumento da sensibilidade celular à insulina

Já os benefícios tardios são:

  • Incremento das funções cardio-respiratórias
  • Incremento da força e da resistência
  • Outros benefícios Aumento da ação da insulina

Aumento da Ação da Insulina

Em um primeiro momento a afirmativa que a "atividade física aumenta a ação da insulina" parece estar errada, pois há diminuição da produção de insulina durante o exercício. O mecanismo que rege a produção de insulina não tem relação com o mecanismo que rege sua ação. Além disso, a insulina exógena e/ou os hipoglicemiantes orais têm sua ação aumentada pelo aumento do metabolismo, razão pela qual se recomenda, sob orientação médica - e somente nessa condição - diminuir a medicação no dia que a pessoa com diabetes realizar alguma atividade física. Este mecanismo é um dos responsáveis por hipoglicemias induzidas pelo exercício.

Aumento da Captação da Glicose pelo Músculo

Existem três mecanismos responsáveis pelo aumento da utilização e captação da glicose pelas células musculares. Eles consomem grande quantidade de glicose durante o exercício: o aumento da ação da insulina, causada pelo aumento do metabolismo, a atuação específica do exercício nos glicotransportadores GLUT4 e o conseqüente aumento da sensibilidade à insulina.

Captação da Glicose no Período Pós-exercícios

Este fenômeno é responsável por hipoglicemias que ocorrem até 48 horas após a atividade física, sendo explicado pela reposição de glicogênio pelas células e pelo gasto energético causado pela recuperação do organismo, sempre na presença de insulina exógena.

Aqui cabe uma explicação: tão importante quanto a atividade física em si é o período de recuperação do organismo. De pouco, ou de nada, adianta, após uma caminhada de 40 minutos no final da tarde, sentar-se à mesa para saborear uma picanha com fritas. O que foi gasto durante o exercício em poucas horas já estará circulando em nas veias.

Diminuição da Taxa de Glicose

A redução dos índices de glicemia é um dos efeitos mais significativos da atividade física no diabetes. A glicose é fonte predominante de energia nos 30 primeiros minutos de exercício. Assim, a atividade física tem função parecida com a insulina no tocante ao aumento da utilização de glicose pela célula.

Uma queda para valores inferiores a 60-70 mg/dl caracteriza hipoglicemia induzida pelo exercício, o que é mais comum em pessoas com diabetes que utilizam insulina do que os que não usam. Mas mesmo indivíduos que não tem diabetes estão sujeitos à hipoglicemias durante o exercício, o que causa tontura, visão turva e até desmaio.

Aumento da Sensibilidade Celular à Insulina

Com comprovada atuação nos glicotransportadores, a atividade física eleva a sensibilidade celular à insulina, tornando-a mais eficiente. Este efeito possui duração de 2-3 dias, assim como os outros benefícios descritos acima. Por isso prescrevem-se rotinas de, no mínimo, três dias intercalados por semana, sendo desaconselhável, por esses e outros motivos, as atividades exclusivas de finais de semana.

Benefícios Tardios

Como podem observar, a atividade física produz alterações significativas no contexto glicêmico, mesmo a curto prazo. Mas não são apenas estes os benefícios produzidos pelos exercícios.

Existem também os benefícios tardios, que necessitam de algum tempo para serem notados, normalmente 3 a 4 semanas, dependendo da adaptação orgânica ao esforço. Importante aqui também é o procedimento da pessoa com diabetes durante a recuperação.

Incremento das Funções Cardio-Respiratórias

Sob este título se encontram algumas adaptações do sistema cardio-respiratório e circulatório, descritos na tabela abaixo, que sofrem influência direta do esforço a que o organismo é submetido durante a atividade física.

 

Efeito

Peso e volume do coração

Aumento

Volume sanguíneo

Aumento

Frequência cardíaca de repouso

Diminuição

Fluxo sangüíneo e distribuição do sangue

Aumento

Pressão arterial em repouso

Diminuição

VO2 máximo Aumento

Aumento

Freqüência cardíaca máxima

Aumento

Freqüência respiratória em repouso

Aumento

Glicogênio muscular e hepático

Aumento

Massa muscular

Aumento

O aumento no peso e no volume do coração proporciona diminuição da freqüência cardíaca de repouso e da freqüência cardíaca máxima, pois o coração passa a contrair e bombear sangue mais eficientemente. O aumento do glicogênio hepático e muscular contribui para minimizar os efeitos das hipoglicemias.

Incremento da Força e da Resistência

O ganho de massa muscular e a melhora no fornecimento e na utilização de oxigênio e energia proporcionam aumento da força muscular, assim como da resistência geral do organismo ao esforço.

Um erro comum é confundir aumento do peso corporal com aumento da gordura corporal. O ganho de massa muscular contribui para elevação do peso corporal, mas não tem relação com aumento de gordura corporal, que tende a diminuir com a rotina de exercícios.

Diminuição da Gordura Corporal

Após 20-30 minutos de exercícios, a gordura passa a ser a fonte primordial de energia, proporcionando decréscimo da gordura nas células adiposas. Dois aspectos importantes para quem quer perder massa corpórea gorda é o tempo mínimo de 30 minutos de exercícios e a ingestão calórica menor do que o gasto. Ninguém vai perder peso se consumir mais calorias do que gasta.

Redução dos Fatores de Risco de Doenças Coronarianas

Atribui-se à atividade física regular o decréscimo do colesterol de baixa densidade - LDL-colesterol - e de muito baixa densidade - VLDL-colesterol (conhecido como mau colesterol) e do triglicérides; e aumento do colesterol de alta densidade - HDL-colesterol - (conhecido como bom colesterol), o que contribui, juntamente, com a diminuição da gordura corporal e aumento da eficiência cardíaca e circulatória, com a diminuição de problemas cardíacos, mesmo aqueles associados ao diabetes, como o infarto do miocárdio e arterosclerose.

A inatividade física é um dos principais fatores de risco de doenças coronarianas, ficando atrás apenas do fumo, pressão arterial e colesterol elevados.

Redução da Ansiedade e da Depressão

O exercício aeróbico contribui para o lançamento, na corrente sangüínea, de certas substâncias neuroquímicas responsáveis pela redução da ansiedade e da depressão, como as endorfinas. A atividade física está, portanto, associada à sensação de bem estar do indivíduo fisicamente ativo.

Outros Benefícios

Além dos benefícios citados, que em si já merecem especial atenção, um efeito importante que a atividade física possui é a efetiva contribuição à prevenção de DM tipo 2 em pessoas com predisposição à doença. Explicações deste fenômeno não estão totalmente esclarecidas, mas evidências apontam para o aumento da sensibilidade celular à insulina, agindo na glicotransportador GLUT4, para a diminuição da gordura corporal, diretamente associada à maior resistência à insulina*, e também para a diminuição do estresse.

Como podemos notar, as qualidades atribuídas à atividade por si já corroboram para que qualquer pessoa com diabetes se engaje num programa de exercícios. Além do que, a manutenção da taxa de glicose no sangue em valores adequados (por exemplo com hemoglobina glicosilada inferior a 7 %) é responsável por reduções nas incidências de doença secundárias ao diabetes: neuropatia, nefropatia, retinopatia etc, e dos sintomas do diabetes: poliúra, polifagia, polidpsia, glicosúria etc.

Se a pessoa com diabetes assumir sua doença e tratá-la como convém, espera-se um quadro que contribua para uma menor necessidade de medicamentos (principalmente do diabetes tipo 2) e dieta menos restritiva (quando na melhora de alguns quadros patológicos).

 

Estilo de vida

Nesses tempos de culto ao corpo e à saúde, a pessoa com diabetes só tem a ganhar. Isso porque para que ela possa ter uma vida normal, dentro das possibilidades, é preciso ter um estilo de vida saudável. Ou seja, se alimentar bem e praticar exercícios. Com isso fica muito mais fácil manter o peso e o valor da glicemia próximo do normal, evitando, assim, qualquer complicação.

Especialistas afirmam que a dieta adequada ao indivíduo com diabetes pode ser seguida, em linhas gerais, por todos que buscam uma vida mais sadia: pouca gordura, sal e açúcar; poucas calorias; muitas frutas, legumes e verduras; alimentos integrais etc. Mesmo assim é um plano alimentar especial, que precisa ser acompanhado por um nutricionista.

As orientações gerais são: seguir corretamente o número de refeições, as quantidades e os horários prescritos em seu plano alimentar; evitar alimentos com açúcar refinado (bolos, biscoitos recheados, chocolates, balas, mel etc) e gordurosos (bacon, toucinho, banha, pele, frituras, carnes gordurosas etc); comer carnes magras, assadas, cozidas ou bifes grelhados; evitar o consumo de mortadela, salame, salsicha, presunto e alimentos em conserva, pois são ricos em gordura e sal.

Indo às Compras

No supermercado é preciso tomar cuidado na hora de escolher o que será comprado. Levando alimentos saudáveis para casa, já estará dando um grande passo para não fugir da dieta. Dê preferência aos temperos naturais, pois os industrializados contêm grande quantidade de sal. Os óleos mais saudáveis são os vegetais (canola, girassol, milho ou soja), porém evite frituras.

Utilize leite e derivados (iogurte, queijos) desnatados ou light e prefira as carnes magras. Além de controlar o peso, você estará prevenindo o aumento de colesterol. As leguminosas devem fazer parte do cardápio, pois contêm proteínas, ferro e fibras.

E não se esqueça: se for comer uma sobremesa diet ou light, fique apenas com uma porção. Comer o dobro pode significar o mesmo que um doce supercalórico.

Mexa-se

Praticar uma atividade física é muito importante no controle do diabetes, isso porque, além de ajudar a manter o peso, ela traz diversos benefícios, como aumento da ação da insulina e diminuição da glicose.

Converse com o seu médico sobre seus objetivos e planos. Peça para fazer uma avaliação médica e nutricional. Após essa etapa será preciso uma avaliação física, a ser realizada com por um professor de Educação Física. Após esses procedimentos, que devem ser feitos por todo mundo (não só as pessoas com diabetes), você deverá escolher a atividade que mais lhe agrada. Isso porque praticar exercícios não pode ser uma tortura e, sim, um prazer. A atividade física, além dos benefícios para o corpo e saúde, é um anti-stress.

É importante definir um objetivo a ser alcançado. Quando estiver cansado ou desmotivado pense no seu objetivo, na sua saúde, no seu bem estar. Não deixe se abater. Vá praticar sua atividade física mesmo quando não estiver muito animado. É importante cumprir tudo o que foi planejado.

Enfim, é possível viver como qualquer outra pessoa, mas é preciso ter todos os cuidados que o diabetes exige.

*Consultoria: Dr. Marco Antônio Vívolo, membro do Conselho Científico do site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Consultoria: Dra. Ana Claudia Ramalho (Coordenadora do Departamento de Atividade Física da SBD, gestão 2006/ 2007)

Escolhendo a Atividade Física

Agora que você decidiu praticar uma atividade física é preciso escolher a que mais lhe agrada. Mas é preciso observar alguns procedimentos importantes para que possa usufruir todos os benefícios proporcionados pela atividade física.

Primeiro é preciso analisar duas questões:

* O que pretendo com isso?
* Esta atividade se tornará rotina em minha vida?

O objetivo dessas perguntas é repensar a maneira de lidar com o diabetes. Para muitas pessoas, a atividade física mais parece com dieta: segunda-feira eu começo, prefiro viver menos e aproveitar mais a vida, não tenho tempo etc. O problema dessa forma de pensar é que o diabetes é uma doença que, quando mal controlada, como conseqüência traz complicações irreversíveis e extremamente danosas. Além disso, práticas irregulares de exercícios, como o futebol de final de semana, em nada contribuem para o controle do diabetes.

A segunda etapa é a avaliação médica e nutricional. Para isso, é necessário procurar um médico para realizar uma avaliação de seu estado de saúde. É importante comunicar sua decisão e metas.

Os exames de rotina constam de averiguação da pressão arterial, níveis de gordura no sangue (triglicérides e colesterol), hemoglobina glicolisada, taxa de açúcar no sangue, avaliação cardiovascular e exames nos pés e nos olhos. No caso, para as pessoas com diabetes com idade superior a 35 anos, ou com mais de cinco anos com diabetes tipo 1, ou diabetes tipo 2 diagnosticado, é recomendado check-up periódico. O objetivo é avaliar problemas renais, oftalmológicos ou neurológicos que possam desabonar a inclusão ou limitar a atuação do indivíduo com diabetes em um programa de exercícios, assim como um eletrocardiograma de esforço.

A avaliação física ou cardiorespiratória é uma das etapas mais importantes ao se iniciar um programa de atividade física. Os resultados obtidos com a realização da avaliação física não devem ser vistos apenas como classificatórios, onde mostram se a capacidade do avaliado se encontra ruim, regular ou boa. Esses resultados deverão servir como ponto de partida para a prática de exercícios, onde a preocupação se focaliza nas necessidades, capacidades e finalidades de cada indivíduo. Para cada prescrição existem diferenças individuais na intensidade, freqüência, duração e progressão dos exercícios.

Agora que você já sabe por onde começar, saiba quais as atividades mais indicadas e os cuidados a serem tomados.

 

Pirâmide da Atividade Física

Essa é a recém-criada pirâmide da Atividade Física. A proposta inicial foi desenvolvida pelo Departamento de Saúde Americano (US Department of Health and Human Services). Essa versão é uma prática e simpática adaptação de Kátia Maciel.

Como a pirâmide da alimentação, a base traz sugestões de atividades que devem ser feitas diariamente e a medida que se chega ao topo, aparece o que é preciso reduzir.

 

 

 

Atividade Física, Diabetes e Obesidade

A Atividade Física sempre fez parte da rotina da vida dos seres humanos.

Dessa forma, o que somos hoje em dia como espécie é o resultado de um longo processo de seleção natural, que nos aparelhou para vivermos bem com certos hábitos e estilo de vida. No entanto, com o advento de utensílios e equipamentos feitos para facilitar o nosso dia-a-dia, processo que teve início há aproximadamente 200 anos, e com uma intensidade e velocidade crescentes, aliado à mudança dos hábitos alimentares, fez com que sofrêssemos as conseqüências dessa evolução.

Como decorrência do fenômeno de industrialização associado ao aumento do sedentarismo e mudança de hábitos alimentares, o surgimento da obesidade e também do diabetes tipo 2 na nossa população tem se tornado cada vez mais freqüente.

Se compreendermos esse fenômeno, ou seja, tivermos claros os mecanismos que favorecem o desenvolvimento destas doenças, fica mais fácil atuarmos para evitar ou retardar o seu aparecimento.

Sabemos, no entanto, que a obesidade é uma entidade complexa e que o simples aumento de peso não qualifica indivíduos ao desenvolvimento de determinadas doenças. Há a necessidade de uma predisposição genética que, aliada a fatores ambientais (sedentarismo e má alimentação, entre outros), pode levar ao aparecimento de doenças (dislipidemias, hipertensão, diabetes, etc.).

Na prática, indivíduos com certo grau de obesidade (IMC entre 25 e 30, portanto com sobrepeso), que se exercitam com regularidade, podem ter um risco menor de desenvolver diabetes e outras doenças metabólicas do que os sedentários.

O importante é lembrarmos que, mesmo indivíduos com IMC normal, ou seja, menor que 25, mas que apresentem um valor de circunferência de cintura maior que 94 para homens e 80 para mulheres (segundo a IDF, 2005), apresentam maior risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Em todos esses casos, a atividade física é um fator atenuante quanto ao surgimento ou controle de transtornos metabólicos.

“Todo indivíduo deve acumular pelo menos 30 minutos de atividade física por dia, na maior parte dos dias (5) da semana (se possível todos), de intensidade moderada, de forma contínua ou acumulada”. Essa é a mensagem do programa Agita São Paul,o que mostra a redução de 33% no risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares com esse procedimento.

Especificamente para o indivíduo portador de diabetes, a atividade física aumenta a sensibilidade à ação da insulina. Dessa forma, indivíduos obesos, com resistência insulínica, ou aqueles com uma certa redução na produção desse hormônio, podem ser beneficiados pela realização de exercícios regulares.

É sempre bom lembrar que os efeitos benéficos da atividade física ocorrem somente para quem se exercita com regularidade. Por isso, a importância de realizar atividade física pelo menos cinco vezes na semana.

Caminhar, andar de bicicleta, nadar, correr, dançar, são algumas atividades possíveis. Mas todos devemos procurar fazer algo que nos seja prazeroso para tornar o exercício um momento de felicidade.

Para Atletas

Se você está pensando em tornar-se um atleta, aguarde diversas mudanças positivas. Isso porque a atividade física ajuda a ganhar músculos e a perder gordura, diminui o apetite, melhora o humor, reduz o estresse e a ansiedade, melhora a imunidade, torna os músculos e as articulações mais flexíveis e melhora a qualidade de vida. O exercício é a atividade mais importante para retardar o processo de envelhecimento, controlar o açúcar sangüíneo e reduzir o risco de complicações diabéticas.

O mais importante para a saúde é o condicionamento físico adquirido em atividades aeróbicas prolongadas, como caminhada acelerada, corrida, ciclismo, natação, remo e dança. Desenvolva um programa de exercício, juntamente com seu médico e treinador, que leve em consideração as condições de sua saúde (controle do diabetes, complicações etc), fatores de risco de doenças cardiovasculares, objetivos e as preferências quanto ao exercício.

Diabetes e o Peso

O excesso de peso é maléfico para qualquer indivíduo. Isso porque pode trazer complicações para o nosso corpo, como doenças cardíacas, derrames cerebrais, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer, gota (dor nas articulações devido a ácido úrico em excesso), doenças biliares, apnéia no sono (interrupção da respiração durante o sono) e a osteoartrite (desgaste das articulações).

Quanto maior o sobrepeso, maior a propensão a problemas de saúde. Muitas pessoas com excesso de peso enfrentam dificuldades para chegar ao peso ideal para seu tipo de corpo, porém, na prática, é possível melhorar o estado da saúde com a perda de apenas cinco a dez quilos.

As pessoas com diabetes precisam ter um cuidado especial com a balança, pois se manter no peso ideal ajuda, e muito, a controlar a doença. Isso porque a ingestão diária de calorias e carboidratos influencia no controle glicêmico. Os exercícios físicos também são indicados, não só para manter o peso, como para aumentar a eficácia da insulina, entre outros.

Estudos mostraram que indivíduos obesos, com diabetes ou não, apresentam, em jejum, níveis de insulina aumentados e a liberam mais após sobrecarga oral de glicose (curva glicêmica). Quando este aumento de insulina (hiperinsulinismo) estiver associado ao aumento de triglicérides, diminuição do HDL- colesterol, aumento da pressão arterial e obesidade central, constituirá importante fator de risco para doença coronariana - "Síndrome Metabólica' ou "Síndrome de Resistência à Insulina".

Os portadores de obesidade central, abdominal ou andróide (depósitos de gordura predominantemente no abdome e nas víceras) apresentam maiores fatores de risco do que os de obesidade ginóide (predominantemente no quadril e subcutâneo), pois a obesidade central é uma manifestação da síndrome de resistência á insulina ou seja, com maiores níveis de insulina no sangue e maior incidência de diabetes.

Têm-se dado muita importância ao reconhecimento precoce desta síndrome, pois medidas adequadas - redução de peso, exercícios e medicamentos -, reduzem ou mesmo evitam o aparecimento de diabetes.

Quando uma pessoa se submete a uma dieta de baixo teor calórico, o número de receptores aumenta paralelamente à redução dos níveis de insulina, sugerindo que o excesso alimentar é o responsável pelo hiperinsulinismo e resistência periférica, mais que a massa de tecido gorduroso.

Aumento de Insulina

O professor Dr. Gerald M Reaven, em seu livro "Clinician´s Guide to Non-Insulin-Dependent Diabetes Mellitus", fornece-nos alguns dados importantes para julgar se determinada pessoa apresenta aumento de insulina acima de valores normais, quando submetida ao tese de tolerância à glicose oral (curva glicêmica).

Veja esses valores na tabela abaixo (valores médios normais de insulina no sangue após a sobrecarga oral de 75g de glicose (curva glicêmica) em indivíduos magros e que não possuem diabetes)

Tempo em Minutos

Valores Normais de Insulina em U/ml de plasma

0

10 a 20

30

50 a 80

60

70 a 80

120

40 a 45

180

10 a 20


Indivíduos magros, com intolerância à glicose oral podem apresentar neste teste valores aumentados de insulina nos tempos 30-60-120-180 minutos (aumento da resistência periférica).

Pessoas obesas, sem diabetes, geralmente apresentam valores de insulina em jejum e após a glicose oral superiores aos dos magros e sem diabetes, e este aumento é proporcional ao seu peso (aumento da resistência periférica).

Indivíduos com diabetes, magros ou obesos, geralmente apresentam valores de insulina comparativamente menores que os dos não diabéticos, tanto em jejum como após a sobrecarga à glicose oral (ou pós-alimentar). Essa redução se acentua quanto maiores forem suas glicemias ou hemoglobinas glicadas, ou seja, quanto pior for seu controle do diabetes.

Produção diária de insulina (durante 24 horas)

Sem diabetes

 

Magros (Peso Normal)

31 unidades/dias

Obesos

114 unidades/dias

Com diabetes tipo 2

 

Magros (Peso Normal)

14 unidades/dias

Obesos

46 unidades/dias

Com diabetes tipo 1

 

Jovens

4 unidades/dias


Índice de Massa Corpórea

É importante ressaltar a necessidade de manutenção de peso normal nas pessoas com diabetes e naqueles sem diabetes com antecedentes familiares da doença. Uma das formas para definir o peso ideal é o índice de massa corpórea (IMC). Consideramos um IMC normal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se este valor estiver entre 18,5 e 24,9 kg/m2. Obtemos esse índice com a divisão do peso em quilogramas pela altura ao quadrado em metros.

IMC =      Peso (kg)
         Altura x Altura (m)

IMC maiores que 25 indicam sobrepeso, maiores que 30 significam obesidade grave e maiores que 40, obesidade mórbida. Como exemplo, podemos citar uma pessoa com 80kg e 1,70m de altura.

IMC = 80 / 1,70 x 1,70 = 80 / 2,89 = 27,68 (maior que 25).

O tratamento da obesidade é sempre necessário e implica, primeiramente, em firme determinação, tanto do paciente obeso como de seu médico. Como a obesidade, na maioria das vezes, resulta de maior ingestão de calorias em relação às calorias gastas, é importante a instituição de dietas hipocalóricas. Ou seja, o total de calorias consumidas deve ser inferior ao calculado para necessidade calórica basal (mínimo de calorias que o corpo precisa para manter os órgãos vitais funcionando).

Obesidade e Síndrome Metabólica

Nos últimos anos houve um aumento na incidência de doenças crônicas (obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares) e fatores de risco associados (como tabagismo, estresse, sedentarismo e alimentação inadequada), que ocasionaram o aumento da morbidade e da mortalidade da população adulta mundial.

A associação da obesidade às outras patologias crônicas citadas acima é denominada Síndrome Metabólica.

Existem alguns desencontros na definição de Síndrome Metabólica (SM), pois não há uma descrição internacional definitiva. Com isso, cada grupo de pesquisadores segue um conjunto de patologias associadas, de acordo com trabalhos desenvolvidos.

Atualmente, estima-se que 24% da população adulta dos EUA e entre 50 e 60% na população acima de 50 anos possuem Síndrome Metabólica (SM). Algumas projeções indicam que, em 2010, os EUA terão de 50 a 75 milhões, ou mais, americanos com a síndrome.

A prevalência da SM vai depender, em grande parte, da forma como será identificada, uma vez que também há diferenças relacionadas com o sexo, faixa etária, origem étnica e estilo de vida. A SM, como a maioria das síndromes, apresenta vários elementos e nem todos precisam estar expressos em todos os indivíduos.

Obesidade e Diabetes

O dia 11 de outubro foi criado para marcar a luta mundial contra a obesidade. Com a finalidade conscientizar os internautas do site da SBD sobre o tema, o Dr. Alfredo Halpern, ex-coordenador do Departamento de Síndrome Metabólica da SBD, foi convidado a responder as 10 dúvidas mais freqüentes sobre o que é a obesidade e a sua estreita relação com o diabetes.

1. A obesidade é um fator importante para desenvolver o diabetes? Por que?
Sim, pois o aumento do tecido gorduroso, particularmente no abdômen, leva à produção exagerada de substâncias que interferem com a ação da insulina produzida pelo pâncreas.

2. Evitar a obesidade é o melhor caminho para prevenir o diabetes?
Sem dúvida nenhuma, a prevenção da obesidade e o combate ao sedentarismo são as armas mais eficientes para evitar o Diabetes tipo 2.

3. Como sei que estou acima do peso?
Aplique o cálculo do índice de massa corporal (IMC) = peso(kg)/altura(cm)2. Se você tiver mais que 25kg/m2 tem excesso de peso e se tiver mais que 30kg/m2 tem obesidade.

4. Que benefícios ganha a pessoa com diabetes ao prevenir a obesidade?
Emagrecer faz melhorar o controle da sua glicemia e previne (ou ajuda) a controlar a pressão arterial e as gorduras no sangue, entre outros benefícios. E, basicamente, diminui muito o risco de doenças cardiovasculares.

5. Qual a importância do acompanhamento médico para evitar a obesidade?
Depende da propensão que você tenha para a obesidade e dos seus hábitos de vida e da tendência (sua e de sua família) para outras doenças. A princípio, deve-se procurar o médico sempre que a pessoa é diabética.

6. E do planejamento alimentar?
O planejamento (eu prefiro a palavra controle) alimentar é básico para se evitar a obesidade.

7. Sendo obesa, quais problemas a pessoa com diabetes pode desenvolver?
Vai aumentar o risco das complicações do diabetes e da aterosclerose (problemas visuais, dos nervos, impotência, infarto do miocárdio, derrame cerebral, gangrena, entre outros)

8. Com diabetes é mais difícil combater a obesidade?
Não há certeza sobre isto, embora alguns estudos mostrem que pessoas diabéticas têm maior dificuldade para perder peso.

9. Qual o melhor caminho, nesse caso, para combater a obesidade?
Procurar um médico, sempre que tiver diabetes e obesidade. Ele vai orientar a melhor dieta, o planejamento para atividade física e medicamentos apropriados.

10. Todo obeso possui Síndrome Metabólica?
Nem todo obeso apresenta Síndrome Metabólica, mas grande parte das pessoas com obesidade abdominal, mesmo não sendo obesos, apresenta a mesma.

*Cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 2 são obesos, isto é, com mais de 20% acima do peso normal.

 

 

*Consultoria: Dr. Marco Antonio Vívolo, membro do conselho científico do site da Sociedade Brasileira de Diabetes, membro da diretoria da SBD (gestão 2004/2005; 2006/2007).

 


* Consultoria: Dra. Ana Claudia Ramalho (Coordenadora do Departamento de Atividade Física da SBD, gestão 2004/2005; 2006/ 2007).